O Joaquim fez hoje uma alteração no Portugal Contemporâneo com autorização do seu criador, que é o Rui. Na lista de colaboradores ficaram apenas o Rui, ele e eu. Os outros, que já não colaboravam há anos, foram movidos para uma secção mais em baixo com o título "Já colaboraram no PC".
28 janeiro 2026
24 janeiro 2026
devidamente togada
“Sentava-se ao lado da advogada, devidamente togada (...)" (cf. aqui)
Comentário: Os salamaleques desta profissão são de rir à gargalhada. E a eficácia da Ordem para controlar a profissão também.
Porém, a pretensa advogada a que se refere o artigo (que não é a da foto) pretendia exercer verdadeira advocacia, e não andava disfarçada de advogada a fazer negócios obscuros no seio de uma qualquer grande sociedade de advogados.
Outra conclusão que tiro das notícias dos últimos dias é a seguinte. Os advogados do José Sócrates, devidamente togados, andam a obstruir a justiça, e no país do Trump já estariam na cadeia.
Ninguém me convence que a Ordem dos Advogados - abrindo excepção a metade dos seus membros, mas não à outra metade - não é uma corporação de criminosos.
23 janeiro 2026
22 janeiro 2026
de cabeça perdida
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou que irá avançar com uma "queixa" contra a página 'Volksvargas', na rede social X (antigo Twitter), na sequência da divulgação de conteúdos considerados desinformativos.
Segundo um comunicado do gabinete do chefe do Governo, está em causa a circulação de uma "falsa publicação do Presidente dos Estados Unidos da América", que inclui uma imagem com uma alegada mensagem do primeiro-ministro de Portugal.
O Executivo indica que a situação será comunicada às entidades competentes, sublinhando que o caso teve uma "elevada difusão pública".
Na mesma nota, o gabinete de Luís Montenegro aproveita "para realçar a importância de combater a desinformação e alertar os portugueses para a relevância de verificar a credibilidade das fontes informativas, em particular nas redes sociais".
Em causa estará a seguinte publicação:
Fonte: cf. aqui
18 janeiro 2026
14 janeiro 2026
a credibilidade pública
O crime foi recentemente contado por Anabela Sousa na série "Letras de um Crime" com o título "A Máfia de Braga e o Crime Quase Perfeito" : cf. aqui.
Dois advogados (com outros cúmplices) assassinaram um empresário de Braga e diluíram-lhe o corpo em ácido sulfúrico.
O crime ocorreu em 2016 e os advogados foram condenados em 2017 a uma pena de 25 anos de prisão. Mas só em 2024, com grande fanfarra e muita solenidade, a Ordem dos Advogados retirou a estes dois criminosos a licença para praticarem a advocacia (cf. aqui).
É assim que a Ordem dos Advogados garante a credibilidade pública dos seus membros. Para lhes retirar a licença para exercerem a profissão é necessário que eles cometam um crime macabro como este e, ainda assim, só depois de passarem quase uma década na prisão.
Por outras palavras, depois do crime hediondo, estes dois criminosos puderam continuar a exercer a advocacia durante sete anos a partir da prisão, com a autorização da Ordem dos Advogados.
Tudo tratado com a máxima solenidade e legalidade (cf. aqui e aqui), como é próprio de um Estado de Direito, de que a Ordem dos Advogados é um dos garantes principais.
O caso Cotrim
As acusações de natureza pessoal que surgem em plena campanha eleitoral colocam sempre um dilema delicado entre o foro judicial e o foro político. Em democracia, é essencial não confundir planos. O julgamento criminal ou civil pertence aos tribunais; o julgamento político pertence à opinião pública — e obedece a regras diferentes, mais imediatas e mais exigentes quanto à forma, ao tom e ao sentido de responsabilidade. A história política oferece exemplos instrutivos. Thomas Jefferson, enquanto presidente dos Estados Unidos (1801–1809), desaconselhou explicitamente membros do seu governo de mover ações por difamação contra cidadãos. Fê-lo por convicção republicana: o poder político não deve recorrer aos tribunais para se proteger da crítica dos governados. Num regime livre, erros, exageros ou injustiças combatem-se com palavra, carácter e transparência, não com intimidação jurídica. Há também exemplos contemporâneos de gestão política de crises pessoais. Pete Hegseth enfrentou uma acusação de natureza sexual optando por uma entrevista frontal, colocando as cartas na mesa e assumindo o risco público. Não foi um julgamento judicial, mas uma recuperação de agência narrativa: deslocou o foco do que se suspeita para a forma como se responde. Em política, essa diferença é decisiva. Quando uma acusação emerge a poucos dias de uma eleição, o desafio central não é jurídico, mas político e simbólico. O eleitor observa sobretudo a reação: serenidade ou agressividade, clareza ou evasão, autocontrolo ou perda de domínio. A política torna-se inevitavelmente “teatral” — não no sentido de falsidade, mas no sentido clássico: a capacidade de se apresentar em público à altura da função a que se aspira. Como diz a expressão, “quem não aguenta o calor deve sair da cozinha.” Esta nota pretende ser um incentivo a todos os políticos que atravessem crises semelhantes: não confundam a defesa judicial (legítima, no seu tempo próprio) com a resposta política (imediata, pública, exigente). Ameaças de processos raramente convencem; franqueza, compostura e responsabilidade pública quase sempre contam a favor. Importa sublinhar algo fundamental: este comentário não é um julgamento. Não me compete apurar factos, atribuir culpa ou inocência, nem substituir o trabalho dos tribunais. Trata-se exclusivamente de um juízo de opinião política, legítimo numa sociedade aberta, sobre a adequação da resposta dada por um candidato sob forte pressão. Declaração final de interesse
Independentemente deste episódio, nunca votaria neste candidato, por discordar profundamente da sua defesa da militarização da Europa e do keynesianismo militar, que considero perigosos, economicamente irresponsáveis e politicamente regressivos. Esta posição é anterior e independente das acusações agora em debate. Dito isto, desejo sinceramente que o candidato demonstre capacidade para liderar nesta crise. Portugal precisa de presidentes fortes, capazes de enfrentar momentos difíceis com serenidade, verdade e sentido de Estado. Em democracia, acusações não devem substituir o voto. Mas a forma como um candidato reage a uma crise pessoal é um ensaio geral do modo como reagirá a crises nacionais. Esse juízo — na opinião pública, não nos tribunais — cabe inteiramente à consciência dos cidadãos.
12 janeiro 2026
ganham a vida
Estado pagou cerca de 1,5 milhões de euros em indemnizações a presos desde 2016
Fonte: cf. aqui
Explicação: Há advogados presos, mas a quem a Ordem dos Advogados nunca retirou a licença para praticarem a advocacia, que ganham a vida na prisão a pôr processos no TEDH contra o Estado português, em seu próprio nome e dos seus companheiros de cela.
(Nota: A Ordem dos Advogados demora muito tempo a tirar a licença a advogados criminosos: cf. aqui)




