04 Julho 2009

estaremos loucos?




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¿Qué hay que tapar?

"El Gobierno se dispone a premiar con miles de millones de euros que salen de los bolsillos de las familias, las pymes y de los autónomos a banqueros y directivos de las cajas de ahorro que han demostrado ser, cuando menos, incompetentes".
Aznar
Via Expansión

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quedarse de Rodriguez

“Quedarse de Rodriguez” é o último sacrifício que o capitalismo impõe aos chefes de família. Enquanto as mamãs levam os meninos de férias para Marbella, os papás vêem-se obrigados a ficar por Madrid, ao leme das suas organizações.
Como podem imaginar trata-se de um grande desafio à fidelidade conjugal, que num país Católico deveria ser “de rigueur”. Um tio sozinho numa grande cidade, com tantas Lolitas à solta, os bares, as tapas, os espectáculos, os restaurantes madrileños, “Dios mio”...
Muito tios não resistem e aproveitam “quedarse de Rodriguez” para umas “quedadas morbosas”. Em Portugal o Rodriguez ainda não é muito popular, mas lá havemos de chegar.
Um conselho para quem se “quede” de Rodriguez. Não desatem a comprar flores, chocolates e perfumes, para festejar o regresso da patroa. Se aproveitaram o tempo bem aproveitado, esse tipo de comportamento revela tudo. E se não aproveitaram, levanta suspeitas de terem aproveitado.

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Bloco Central (actualização)

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03 Julho 2009

where is grace?

Este fim-de-semana o Porto vai parecer-se com Monte Carlo, com as bombas andropáusicas a competirem em frente ao edifício transparente, como se estivessem a queimar borracha no Quai Albert 1er. A cidade foi decorada a preceito, as elites piraram-se e a populaça ficou a cheirar os gases e a inalar o CO2.
Rio, na figura do Mayor Rionier, é o grande protagonista deste S. João mecanizado, com bombas e foguetes. Não precisamos dos iates deslumbrantes do Mónaco porque temos as traineiras de Matosinhos. Não nos vão fazer falta as ostras e o champanhe porque temos as sardinhas e o champarrion.
A única coisa que nos pode faltar no Porto, este fim-de-semana, é “Grace”.

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não se pode


Em toda a minha biblioteca, a obra que eu mais prezo é The Great Books of the Western World (Robert Hutchins, chief editor), uma edição conjunta da Encyclopedia Britannica e da University of Chicago, editada pela primeira vez em 1952 (a minha edição é a de 1984).
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Para além da Bíblia (que constitui o primeiro volume, mas que não está incluída na colecção porque os editores pressupõem que toda a gente a possui - uma suposição só razoável num país protestante) são 54 volumes e cerca de oitenta autores, e a obra pretende conter as maiores contribuições ao pensamento ocidental dadas no domínio da ciência (v.g., Hipócrates, Galeno, Newton), da filosofia (v.g., Sófocles, Platão, Rousseau) e da literatura (v.g., Homero, Fielding, Dostoevsky). No pressuposto de que só o tempo pode consagrar as grandes obras, o último autor considerado é Freud. A obra é ainda acompanhada de um volume procurando traçar o sentido da Civilização (The Great Conversation) e de dois volumes contendo a história das cem ideias mais importantes da Civilização (Syntopicon)
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Ao contemplar esta obra pela primeira vez há mais de vinte anos, e os autores que ela inclui - os maiores da civilização, no critério dos editores -, não fiquei surpreendido por não haver nenhum português, embora Camões lá pudesse caber, não fossem Os Lusíadas tão centrados num pequeno país que entretanto tinha perdido importância histórica. Aquilo que me surpreendeu foi só haver um autor ibérico (Cervantes, D. Quixote). Pouco tempo depois compreendi a lógica - depois de se ler D. Quixote não se pode razoavelmente esperar que algum vulto da civilização saia da Península Ibérica nos séculos seguintes.
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Publicado em 1615, no auge da Contra-Reforma, o livro mostra aquilo em que se tinha tornado a mente e a cultura do homem ibérico. Muitas das facetas dessa cultura, que Cervantes ilustra ao exagero, permanecem ainda hoje. O que é que se pode esperar dali? Nada.

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também não dá no Brasil ... não dá, não ...


RB,
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Compreendo as tuas palavras, porque, de certa forma, eu também estou a gravitar. Veja bem, meu amigo: eu já relatei aqui mais de uma vez a trajetória - aliás, o turbilhão - que me levou ao protestantismo, à América e ao liberalismo anglo-americano. Já relatei também (dei o meu testemunho), da convicção, que eu tinha por inabalável, de que o mesmo processo de reforma que eu havia experimentado ao nível pessoal, nomeadamente ao longo do período em que residi e trabalhei nos EUA, poderia ser integralmente reproduzido, em escala maior, para toda a sociedade brasileira, reformando-a de alto a baixo, no proceder, nas relações inter-pessoais, na relação com Deus, na economia, na política.
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Evidentemente, não seria eu a reformar coisa alguma, pois não me arrogo em condições intelectuais e nem possuo capacidade de influência ou de liderança para mudar um país. Megalomania, felizmente, é um mal de que não padeço. Mas considerei que talvez estivesse na minha humilde esfera de possibilidades unir-me a outros liberais, a outros, vá lá!, 'reformados', e, num trabalho de militância, num trabalho de formiguinha, no varejo, talvez um dia levar o Brasil para uma outra esfera. Nisso eu acreditei ao longo de muito tempo...
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Mas então o país enveredou por um caminho que muitos de nós considerávamos fora do horizonte (ah, Fukuyama seu desgraçado!! Outro dia em conto essa parte), dando azo a que os piores instintos do povo brasileiro viessem a se manifestar, de maneira a deixar evidente - e aí já falo por mim, bem entendido - que, apesar de toda a militância, toda a pregação, o povo brasileiro, meu caro RB, continua sendo aquilo que sempre foi, e, em alguns aspectos, até pior -sendo que nesse pior começa a doer-me lá alguma junta dos ossos como a dizer-me que aquela pregação em que eu tanto acreditava tem grande parcela de culpa.
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Será que v. está me entendendo, meu amigo?Por isso eu também te digo que estou a gravitar nesse momento. Gravito porque tenho minhas idéias sendo revolvidas pela realidade, e gravito ainda mais porque começo a suspeitar que o liberalismo que eu amo talvez não seja possível de ser transplantado para um país como o Brasil, e aí eis o ponto, começo também a revisitar aquelas teorias culturalistas que eu um dia tanto desprezei. Certezas... Quão frágeis elas são, não é mesmo?
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Agora, veja a questão que agora me coloco a mim mesmo: será que o contínuo e avassalador fracasso que os liberais de matriz anglo-americana sempre tiveram no Brasil não se deve precisamente ao fato de que a transposição de idéias geradas em cultura diversa também não seja lá uma forma de engenharia social, essa prática odiosa que nós liberais sempre repugnamos? E exatamente por ser engenharia social é que não deita raiz em nosso solo?As leituras que tenho realizado ultimamente, revisitando algumas teorias culturalistas de autores brasileiros, têm me aproximado muito das idéias do Pedro. Não concordo com as soluções que o caro Pedro encontra para o formato de governação dos portugueses, mas devo dizer que começo a compreender melhor o seu enfoque culturalista. E quer saber: penso que ele está certo!!
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Um grande abraço.
LG 07.03.09 - 3:29 pm #

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um caminho


A mensagem que a religiosidade católica passa ao homem é uma mensagem centrada na vida de Cristo na Terra e na sua morte: "Estão a ver ... vocês são pecadores. Cristo veio à Terra para vos perdoar os pecados, e até morreu por eles. Portanto, se querem ser bons cristãos, não cometam pecados e pratiquem a virtude".
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O Cristianismo torna-se, assim, na visão católica, essencialmente um código moral. E que tipo de homem resulta desta mensagem, sobretudo numa comunidade onde ela foi pregada durante vinte séculos e que nunca conheceu outra? Sai um homem pecador, porque essa é a sua condição natural e premissa essencial da mensagem, e portanto, um homem sem auto-estima. Sai também um homem dissimulado e com propensão para as aparências, um homem que quer minimizar os seus pecados aos olhos dos outros porque são outros - ou uma subclasse deles, os padres - que o vão julgar. Sai ainda um homem sem consideração pelos outros, que são tão pecadores quanto ele - ou mais -, e portanto um homem sempre pronto a rebaixar os outros. E sai, naturalmente, um homem sem confiança nos outros, pois se ele dissimula os seus pecados e a sua verdadeira natureza, os outros certamente também o farão.
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A mensagem cristã do protestantismo começa precisamente onde acaba a mensagem católica. Não é o clero que fala aos homens em nome de Cristo. É Cristo ele próprio, não o Cristo da primeira vida, mas o Cristo ressuscitado, o Cristo da vida nova:
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-Como vêem ... estou aqui outra vez ...
-Porque é que voltaste?
-Estou aqui outra vez para vos convidar a começar de novo ...
-Mas nós somos pecadores, e até morreste pelos nossos pecados...
-Esqueçam lá isso. Já vos perdoei os pecados. O que lá vai lá vai. Eu sei que vocês são pecadores, mas não é isso que é importante.
-Então?
-O que é importante é que vocês se reformem, que não voltem a ser como foram no passado, que comecem de novo limpos, que sejam melhores amanhã do que são hoje, e para o ano ainda melhores ...
-E quem define o critério da melhoria, qual é o limite para que devemos tender, o modelo que devemos imitar - outros homens, os padres?
-Não. Eu. Só Eu. (Solo Christus)
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A mensagem protestante do cristianismo é dinâmica - ser cristão é um caminho, não um estado de virtude -, é um projecto de vida, um projecto reformista e melhorista, daqui resultando a ideia de progresso que é uma ideia eminentemente protestante. E que tipo de homem resulta desta mensagem? O homem que quer fazer hoje melhor do que fez ontem e que deseja que o mundo também faça o mesmo. O homem que anda à procura da verdade (Cristo) e que tem simpatia pelos outros, porque sabe que eles andam ao mesmo. O homem que ajuda o outro e o aplaude e incentiva quando sente que ele pode ter dado uma contribuição para encontrar o destino comum. O homem que tem confiança no outro porque sabe que andam todos à procura do mesmo. O homem de espírito aberto e tolerante, como é próprio de quem procura: Estará a verdade ali?

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verão quente

Ao contrário do que se pensa, o verão não é a época ideal para o sexo*. Está demasiado calor, a vigilância é elevada e o risco pode ser superior ao de um investimento no BPP.
O verão pode ser é uma boa altura para uma série de posts sobre sexo, a pensar num outono propício e num inverno com bons retornos. Vou portanto dedicar alguns posts a este tema, em Julho e Agosto. Vamos discutir as melhores estratégias sexuais para executivos de alta potência, os melhores golpes tácticos, as melhores defesas contra investidas de maridos incompreensivos e, sobretudo, como resistir à malícia feminina e às suas diabólicas artimanhas.
Para que este exercício se torne mais interessante, desafio outros machos dominantes a enviarem sugestões aqui para o PC. Desde que se esqueçam da paleta e se concentrem nos grandes princípios: um “investidor” não pode pôr todos os ovos no mesmo cesto.

* Abrimos excepções (clicar na imagem).

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aldrabões















Já vos aconteceu chegarem ao fim de um livro e não serem capazes de explicar o que é que o autor pretendia? Podem experienciar essa sensação lendo:
Immanuel Kant, Kritik der Reinen Vernunft (1781)
Friedrich Hegel, Phänomenologie des Geistes (1807)
Martin Heidegger, Sein und Zeit (1927)
Obviamente, os leitores da Ayn Rand estão imunizados contra este fenómeno. Podemos concordar ou discordar da senhora, mas o que ela afirma é claro como a água.

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02 Julho 2009

Factores


Factores que tornam impossível o debate racional de ideias:

-Falta de estudo prévio;
-Incapacidade de abstracção;
-Desfocalização (saltar do tópico para outro);
-Argumento ad hominem (pessoalizar o debate)
-Excepcionalismo ou particularismo (argumentar com base em excepções ou casos particulares)

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desestimulante


Joaquim,

É I-M-P-R-E-S-S-I-O-N-A-N-T-E!!!

Sempre o mesmo e único padrão, post após post: o autor formula um texto, que nada mais é do que uma provocação, o encaminhamento de uma idéia ou de um tema para o debate. Mas ninguém quer saber de debater coisa alguma. E lá vai o ritual: troça, ofensa, mais troça, maledicência, agressões gratuitas, imputação de intenções ocultas, mais troça, xingamentos e desqualificações pessoais.
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Ora, o núcleo do post, onde está a formulação central da idéia submetida a exame é esse: "(...)A minha obsessão pela leitura, porém, não foi absolutamente fundamental para me tornar num “homem de elite”. O que me pode distinguir dos demais, se é que essa distinção existe, é o meu genuíno interesse pelos outros seres humanos.Ora que tipo de formação é que pode alimentar esse interesse? No meu ponto de vista, num País Católico, a melhor formação que nos pode ajudar a distinguirmo-nos dos demais, pela positiva, são os princípios da Igreja Católica, como vêm expressos no Catecismo(...)".
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V. claramente introduziu o tema do catecismo e da importância que o mesmo tem na tua vida. Suponho que v. tinha a intenção de aprofundar essa questão em outros posts.Mas até agora parece que ninguém entendeu absolutamente nada, ou não quer entender, estando o foco unicamente na tua pessoa, não na tese aventada. É terrivelmente desestimulante o debate num país como Portugal (e no Brasil).O mais engraçado é que as mesmas pessoas que mais atacam as teses do Pedro são precisamente as que mais insistem em servir-lhes de ilustração...
LG 07.02.09 - 9:23 pm #

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a populaça no governo







Sócrates é o único responsável pelo mau comportamento dos membros do governo. Quando o líder pensa que é uma fera...

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errado


A importância da distinção entre a cultura católica e a cultura protestante, sobre a qual tenho vindo a elaborar, pode ser ilustrada pelo destino diverso que tiveram dois intelectuais que primeiro a fizeram notar: o português Antero de Quental, que a expôs na sua célebre Conferência do Casino sob o título "As Causas da Decadência dos Povos Peninsulares" (1871), e o economista e sociólogo alemão Max Weber que a apresentou no seu livro "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo" (1905).
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O Governo português da altura mandou fechar as Conferências do Casino logo após a conferência de Antero e, embora o escrito de Antero antecipasse em mais de trinta anos o de Weber, a tese ficou conhecida internacionalmente como pertencendo ao alemão, e teve uma tal repercussão internacional que Robert Nisbet chegou mesmo a considerar Max Weber como o intelectual mais influente na América durante o século XX.
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E Antero, o que foi feito dele? Acabou a dar um tiro na cabeça sentado num banco de jardim em Ponta Delgada. O episódio ilustra a receptividade às novas ideias nos mundos católico e protestante, mas ilustra também um outro ponto. Os portugueses acabaram a honrar Antero depois de morto, em estátuas e nas ruas que receberam o seu nome, um reflexo da tendência católica para adorar o Cristo morto, o da cruz, e da redenção dos pecados. Pelo contrário, os protestantes tendem a honrar mais os homens enquanto vivos, um reflexo da sua tendência para adorar o Cristo vivo, o da ressureição e da vida nova.
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Antero foi um intelectual finíssimo, de longe o maior da sua Geração de 70. Seria hoje conhecido em todas as academias do mundo, e o seu país honrado por virtude do seu nome, não tivesse nascido no país errado para a discussão das ideias.

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bibliografia

Um leitor do PC, devidamente identificado, perguntou-me, por email, que tipo de bibliografia lhe poderia indicar que o ajudasse a tornar-se num homem de elite.
Pensei algum tempo sobre esta questão. Durante a minha vida, eu devo ter lido alguns milhares de livros. Pelo menos desde os 16 anos que todos os dias leio, livros, artigos, ensaios, jornais. Posso dizer que leio incessantemente. Contudo tenho muita dificuldade em responder à pergunta do nosso leitor.
Os autores que mais me influenciaram foram a Ayn Rand, o Mises, o Robert Nozick, o Hayek, o Friedman, o Benjamim Constant e o nosso Pedro Arroja (que me introduziu ao liberalismo). Mas também fui muito influenciado pelo Freud, pelo Jung, pelo Darwin, e noutra dimensão pelo nosso grande Camões, um pouco pelo Pessoa e nada pelo Saramago.
A minha obsessão pela leitura, porém, não foi absolutamente fundamental para me tornar num “homem de elite”. O que me pode distinguir dos demais, se é que essa distinção existe, é o meu genuíno interesse pelos outros seres humanos.
Ora que tipo de formação é que pode alimentar esse interesse? No meu ponto de vista, num País Católico, a melhor formação que nos pode ajudar a distinguirmo-nos dos demais, pela positiva, são os princípios da Igreja Católica, como vêm expressos no Catecismo.
Eu aconselharia o nosso leitor, portanto, a debruçar-se sobre o Catecismo Católico e, ainda, a ler tudo o que lhe passe à frente do nariz. Eventualmente encontrará assuntos do seu interesse pessoal e depois é como as cerejas...

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Governance Indicators


Governance Indicators (2009): Portugal going down. Overall, Christian countries have the best governments in the World. Within Christianity, the best governments are in the Northern European (Protestant) countries. The worst, in the South American (Catholic) countries.

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essa fórmula


"Estou convencido – embora possa estar enganado – que bem mais de 95% dos comentadores deste blogue têm um curso superior. Até hoje parece-me que nunca encontrei alguém neste blogue que não fosse engenheiro, advogado, professor(a), médico, economista ou jurista. Posso também estar enganado, mas tenho quase a certeza que todos eles se formaram numa universidade portuguesa". (D. Costa)
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D. Costa,
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Penso que v. está absolutamente correto, meu caro. E apesar disso, apesar de ser a maioria dos comentaristas composta por pessoas com nível superior, que passaram por universidades, veja como se tratam uns aos outros, com que grosseria, com que falta de educação, com que intolerância, com ofensas e admoestações gratuitas e sem motivo (...).
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Houve um tempo - aliás, até há pouquíssimo tempo - em que eu tinha profunda fé na educação formal das pessoas como caminho de mudança de uma sociedade. Pensava eu: "quando os brasileiros puderem gozar de uma instrução pública de qualidade serão afinal pessoas melhores". Mas hoje, vendo o comportamento dos portugueses, que são muitíssimo mais educados que os brasileiros (no sentido específico de serem melhor instruídos) já começo a considerar que talvez não esteja somente na educação a fórmula para melhorar os brasileiros (e os portugueses). Onde estará, então, essa fórmula? (...)
LG 07.02.09 - 4:05 pm #

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as ajudas do pedro

É cada vez mais difícil encontrar portugueses com sentido de humor. Infelizmente, mas compreensivelmente. Por isso, vale a pena transcrever o comentário seguinte, afixado nesta notícia do Público sobre as "ajudas" de Santana Lopes na sua candidatura à Câmara de Lisboa, depois dele a ter pedido a Deus:

"Ó Pedro, olha que eu também estou aqui para te ajudar no que puder, filho!
Virgem Maria, Cova da Iria, azinheira 27"

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Só falta o manifesto popular!


E a moda dos manifestos continua! Ontem, foi divulgado o terceiro, desta feita, assinado por um conjunto de empresários de obras públicas e, ainda, por elementos conotados com o actual Governo. Os apoiantes deste terceiro documento alegam que os grandes investimentos públicos permitirão "reforçar e dar maior coerência ao tecido económico e empresarial, superando constrangimentos fundamentais e valorizando as condições de atractividade do investimento externo de qualidade" (edição de hoje do Público). Bonitas palavras!

Infelizmente, este documento parece-me irrelevante. Porque não discute a essências das coisas, omitindo a análise de custos e receitas previstas (diferente de potenciais!) associada ao TGV, ao Aeroporto e às novas Auto-Estradas. A única informação relevante apresentada ontem, através de Filipe Soares Franco, é que a incorporação nacional dos projectos, a parte que não será subcontratada ao estrangeiro, está estimada em 70% (edição de hoje do Diário Económico). Contudo, trata-se de um dado que carece de confirmação independente, tendo sido avançado somente por aquele empresário na sua qualidade de presidente da Associação Nacional de Empresas de Obras Públicas.

Enfim, o debate está distorcido. E pior do que isso, com excepção do primeiro manifesto, os outros dois apenas contribuiram para o partidarizar. A lógica empresarial, que em maior ou menor grau, deveria ser o elemento de apoio às decisões finais, foi relegada para segundo plano. É que, por um lado, concordo que Portugal tem de saber para onde quer caminhar. Temos de ter uma visão do futuro, nem que seja apenas um sonho ou um ideal que possa mobilizar os principais agentes do país. Mas, por outro lado, temos de ter os pés na terra e conhecer a realidade do presente. E, neste aspecto, o actual endividamento externo do país é algo de incontornável e incompatível com a realização de projectos sem retorno empresarial que, a prazo, mais não farão do que enriquecer meia dúzia de empresas à custa do empobrecimento geral do país - na forma de mais endividamento externo e mais dívida pública - e dos cidadãos - na forma de impostos mais altos.

Será que é isto que os portugueses querem?

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Ministro da cultura Católica




Os homens poderosos necessitam de muito sexo... e se Berlusconi andasse frustrado, sexualmente, não poderia governar bem a Itália.
Sandro Bondi, Ministro da Cutura (Católica)
Via FT

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e não se pode ...



Se o Presidente do Benfica não acatar a citação judicial de que foi alvo, o exército deve escoltá-lo para um exílio em Ceuta. Seria a cereja no bolo, deste drama encarnado de tipo “hondurenho”.

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Commentator of the month


Commentator of the month of June: it's a woman. Hadassah. She is knowlegeable, positive, nice, serious and rational. She seems to have found her truth. It feels good to have her commenting in this blog.

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a vida


No post anterior, o LG coloca pelo menos duas questões às quais eu gostaria de dar uma contribuição.

A primeira é a de saber qual é, afinal, a melhor das duas culturas - a católica ou a protestante? Eu não pretendo dar uma resposta pessoal, a qual envolveria os meus próprios preconceitos e enviesamentos. A realidade está aí para nos dar a resposta, pondo a questão: No universo dos países cristãos, qual a direcção predominante dos fluxos migratórios, dos países católicos para os protestantes, ou dos protestantes para os católicos?

A resposta é: dos países católicos para os protestantes.

A segunda questão consiste em saber se os países católicos, como Portugal e o Brasil, são reformáveis. Julgo que não. O principal defeito dos países católicos, e das pessoas de cultura católica, é precisamente o de serem irreformáveis. Reformam-se à mesma velocidade da Igreja Católica, que é praticamente zero. A Reforma Protestante ocorreu há seis séculos e se, nesse espaço de tempo, os países católicos não se reformaram, que razão teremos nós para pensar que se vão reformar no futuro?

No essencial, a mente do homem de cultura católica permanece a mesma desde a Idade Média. As alterações que sofreu foram motivadas por imitações importadas dos países protestantes, resultantes dos avanços da ciência e do pensamento nesses países. Luz eléctrica, medicamentos, automóveis, aviões, física mecânica e nuclear, computadores, ADN, internet, democracia, liberdade económica, tudo isso, quase sem excepção, foi inventado ou descoberto nos países protestantes.

Se não fosse a cultura protestante, a nossa a esperança de vida hoje seria pouco mais de 30 anos, como era no século XVIII . Graças a ela, é quase de 80. A cultura protestante, mau grado os seus defeitos, favorece a vida. A cultura católica, nos últimos séculos, em comparação, favorece a estagnação e, portanto, a morte. É sobretudo por esta razão que a cultura protestante é imensamente mais cristã do que a católica .

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01 Julho 2009

começo a considerar que não



"(...)A Reforma modificou muito os países agora protestantes. Tornaram-se mais ricos, organizados e civilizados. Mas também se tornaram mentalmente mais doentes, praticaram mais genocídios e, paradoxalmente, no mesmo momento em que se tornaram mais humanistas, tornaram-se também mais desumanos(...)".
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Professor Doutor,
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Concordo em parte. Eu diria o seguinte: não foi 'A' Reforma diretamente (no sentido de processo de renovação religiosa) quem tornou os, digamos, seus povos "mais doentes". Foi, aí sim, o que eu costumo denominar degenerescência do espírito da Reforma. Que bicho é esse? Veja: o aspecto central de todo o processo da Reforma foi o de permitir e estimular que os fiéis buscassem, por si mesmos, o conhecimento da Palavra, sem a intermediação de atravessadores, qual seja, o clero católico.
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Ora, o resultado disso foi um extraordinário fomento do interesse intelectual nos países protestantes, a subida do índice de alfabetismo e, isso é fundamental, uma imensa abertura para a circulação de idéias, como o Ocidente não via desde a Antiguidade. Portanto, resumindo a ópera, os protestantes introjetaram esses valores: importância e essencialidade do conhecimento, vocação ao debate e disponibilidade absoluta para a circulação de idéias novas.
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E como estava o mundo católico, nomeadamente em seus dois baluartes ibéricos: fechado, hostil a novas idéias, que somente corriam entre uma elite de poucos estudiosos, e aferradas à ortodoxia da Igreja (romana). Não vou me alongar no relato da perversão do sistema católico. V. já o fez nos seus inúmeros e brilhantes diagnósticos do modo de ser e de proceder do povo português (valendo, claro, para o Brasil, esse imenso Portugal).
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Porém, qual foi a perversão do sistema protestante? A aceitação ilimitada, praticamente sem discricionariedade, da possibilidade de entrar em linha de debate toda e qualquer idéia. Quando esses povos eram mais homogêneos e mais aferrados à sua fé, as idéias socialmente nefastas eram digeridas pela própria sociedade, que mantinha intacto o vínculo com seus fundamentos civilizacionais. Mas houve um tempo, e eu localizo esse tempo a partir de meados do séc. XVIII, que essas idéias nefastas já não puderam mais ser metabolizadas com tanta facilidade e se converteram em ideologias, ou seja, doutrinas artificialmente construídas com o único propósito de sustentar projetos de engenharia social. E passaram a fustigar as bases, os princípios, os fundamentos, especialmente os morais e religiosos, sobre os quais as sociedades protestantes estavam solidamente assentadas.
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E então, esse valor tão caro aos protestantes, o amor às idéias, passou a ser usado para solapar a própria sociedade que o sustentava. Hegelianismo, iluminismo, marxismo, relativismo moral... E vejo hoje, com o coração apertado, as sociedades outrora tão cônscias de sua fé, do que sustenta o seu estilo de vida e a sua harmonia, dos seus valores mais caros, sendo tragada pela voragem de uma sua criatura (a livre circulação de idéias) que acabou por se converter em algo que os pais da Reforma jamais poderiam supor.
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Mas os protestantes têm experiência com o trato de idéias e já abateram muitas ideologias demoníacas no passado. Creio firmemente que, p. ex., os americanos saberão encontrar uma fórmula de resistência ao câncer relativista e ao laxismo que ameaça a ordem de sua sociedade.Lembro, p.ex., que foram as grandes democracias liberais e protestantes que salvaram o mundo três vezes no século passado. Quer dizer, a ação protestante venceu ideologias nascidas...em países protestantes.
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Entretanto, hoje eu me preocupo muitíssimo é com o Brasil. E confesso - como já tive ocasião de escrever aqui - que sinto balançarem as minhas convicções sobre qual a melhor forma de se conduzir povos que tiveram uma trajetória histórica tão diferentes daqueles que v., Pedro, chama de países do norte da Europa e da América do Norte.
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O que acontece hoje no Brasil tem abalado minhas convcções. Não pessoais, quero dizer, pois sou firme em minha fé reformada e no meu liberalismo de matriz anglo-americana. Mas será correto, será que temos o direito de forçar o Brasil (e Portugal) ao mesmo erro cometido pelos reformadores da Europa? Eu já disse aqui: não reformaram a ICAR, mas apenas a si mesmos. Fracassaram.Eu e muitos outros reformamos a nós mesmo. Poderemos reformar o Brasil na mesma base? É o que hoje começo a considerar que não. São idéias, e mais que isso, é um projeto intelectual em curso, que gostava muito de dividir com v., caro Pedro, e com todos os demais.
Um abraço a todos.
LG 07.01.09 - 4:14 pm #

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brincar com coisas sérias









1.Com a produção de Airbuses em Tianjin, as fábricas de Hamburg e Toulouse vão ter cortes.
2.Demoramos mais tempo, no RU, a obter as licenças e alvarás do que na China a pôr a fábrica a trabalhar.
3.Estamos a transferir tecnologia.
4.As asas para os Airbuses só serão produzidas no RU se o custo do trabalho for competitivo.
Via Telegraph

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a auto-estrada da fé


Os Evangelhos nunca mencionam a palavra Sacramentos. A doutrina da Igreja criou sete. Indo de volta aos Evangelhos é possível encontrar lá fundamentação para dois (três, segundo algumas interpretações) - o Baptismo e a Eucaristia -, mas não de forma institucionalizada. Não para os outros cinco.

Na tradição protestante o homem tem uma relação directa com Deus e atinge a salvação pela graça directa de Deus. A estrada para lá chegar é a da fé - e só a da fé (Sola Fides). Na tradição católica também é pela auto-estrada da fé que se chega a Deus, mas ninguém é livre de circular nesta auto-estrada livre de impedimentos.

Aconteceu a um homem que conduzia tranquilamente pela auto-estrada da fé no país católico, em direcção à Salvação. De repente, um carro marcado colou-se-lhe atrás, pirilampos acesos e sirenes a tocar. Assustado, o homem encostou à berma, e o carro marcado logo atrás dele. Saíram de lá dois agentes, vestidos de negro.

-Boa tarde ... os seus documentos, por favor ...
-Documentos?... Quais documentos?...
-O senhor sabe que não pode circular nesta auto-estrada sem o Certificado de Baptismo ...
-Olhe, senhor agente ... na verdade ... esqueci-me dele em casa ...
-E o Certificado do Crisma, tem-no consigo?
-Olhe ... esse é que não tenho ...
-O senhor é casado?
-Sou.
-Tem consigo o Certificado do Matrimónio?
-Olhe ... esse... -
enquanto procurava no porta-luvas - ... deixe ver ... olhe, também não tenho ... Tá visto que me esqueci da papelada toda em casa ...
-Há quanto tempo é que o senhor não se confessa?
-Para lhe ser franco, senhor agente ... já não me lembro ...
-Pois é ... lamentamos ... mas não vamos poder deixá-lo seguir viagem ...

Quando regressou à cidade o homem contou aos outros a experiência que tinha tido. Ninguém mais se fez à auto-estrada da fé sem se munir dos certificados que a Agência da Fé, para facilitar a vida às pessoas, imprimia agora em forma de selos, colados no pára-brisas da frente. No caso de carros funerários era necessário um selo adicional, correspondente à Extrema Unção. A emissão dos certificados proporcionava à Agência da Fé uma receita fixa. Convinha, porém, ter produtos de receita variável para fazer face aos acasos de tesouraria e de expansão do negócio. A penitência foi a solução encontrada.

Foram instaladas portagens na auto-estrada da fé. Um condutor parou:

-Quais são os seus pecados?
-Umas mentiras e mais umas pequenas ingratidões...
-30 cêntimos. Pode seguir. Próximo...
-quatro faltas ao emprego para ir à praia e pancada na mulher ...
-5 euros. A seguir ...
-Dois homicídios e quatro assaltos à mão armada ...
-Encoste aí à direita que vai ter de falar com o chefe ...

Mais tarde, para facilitar a vida aos utentes, foram criadas portagens automáticas munidas de scanners que liam a consciência dos condutores e debitavam automaticamente as suas contas bancárias.

Do outro lado da fronteira, no país protestante, o trânsito fluia serenamente na auto-estrada da fé em direcção à Salvação. Não havia agentes da fé, nem selos, nem multas, nem portagens. Ninguém aborrecia ninguém, chegavam todos mais rapidamente a Deus e era muito mais barato. Até a gasolina e os automóveis estavam aí isentos de impostos.

Muitos católicos emigraram. Aquela cultura de pecado existente no seu país, que alimentava o négocio da Agência da Fé, era insuportável, sempre a atribuir pecados às pessoas e a cobrar-lhes por isso. Estava de tal maneira enraizada na população, que já não eram precisos os agentes da fé para atribuir pecados. As próprias pessoas se atribuiam pecados umas às outras, e aplicavam-se mutuamente o correlativo castigo. Nas filas de trânsito era frequente um condutor abrir a janela e gritar para o outro: "Oh cabrão ... vê lá se aprendes a conduzir! ...". Na portagem seguinte, ele resolvia o assunto por um pequeno adicional.

Aconteceu uma vez um habitante do país protestante visitar o país católico em turismo, e meter pela auto-estrada da fé. Notou a falta de respeito que os condutores tinham uns pelos outros, a forma como eles desrespeitavam as regras do trânsito, mas compreendeu a razão de ser da coisa quando na primeira portagem - uma instituição que ele desconhecia - os viu pagar por esses e por todos os outros pecados. Ele próprio pagou a portagem com relutância quando o portageiro lhe perguntou:

-Quais são os seus pecados?
-That's not your business!
, respondeu indignado.

Não compreendendo a resposta, e vendo que era estrangeiro, o portageiro deixou-o seguir por oitenta e cinco cêntimos.

Mais desconcertado ficou quando a certa altura um carro marcado se colou a ele, pirilampos acesos e sirene no máximo, e o obrigou a parar. Delicadamente, os agentes dirigiram-se a ele:

-Os seus documentos, por favor ...
-What!? What do you mean, my documents? ...
-Os seus documentos ... o senhor sabe que não pode circular aqui na auto-estrada da fé sem o selo do baptismo, mais o do crisma, mais o do matrimónio ... e ainda o ticket das portagens ...
-Who are you, people?...
-Nós somos funcionários da Agência da Fé que possui a concessão desta auto-estrada ...
-Who granted you the concession?
-Deus, toda a gente sabe ...
-Please, show me copy of the contract ... signed by God! ...

Nesta altura, os agentes ficaram embaraçados, e um disse para o outro:

-Eh pá, aqui o camone, parece que nos quer dar tanga ...
-Aplica-lhe aí uma multa de mil euros para o gajo sossegar
, respondeu-lhe o outro ao ouvido.

O agente assim fez. Anunciou ao protestante que tinha de pagar uma multa de mil euros, o que o protestante prontamente recusou fazer. Os agentes deram-lhe então ordem de prisão, pela falta dos selos no pára-brisas e por desrespeito à autoridade. Meteram-no no carro, e levaram-no ao superior.

Quando chegaram, o superior perguntou:
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-Então o que é que se passa com este turista?
-Este camone queria que nós lhe mostrássemos cópia do contrato de concessão da auto-estrada, e cópia assinada por Deus ... Imagine, assinada por Deus!... Mas quem é este camone julga que é para desconfiar de nós? Prendêmo-lo por conduzir sem selos de garantia da fé e por desrespeito à autoridade, o crime de heresia consagrado no artigo 15º do Código...
-Fizeram muito bem - disse o superior - ... Ora esta, a desconfiar de nós! ... Toda a gente sabe que Deus assinou connosco o contrato de concessão ... Já ninguém se lembra é onde é que está a papelada ...
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O povo do país católico ressentia, por vezes, os abusos e a riqueza da Agência da Fé, e a prepotência dos seus agentes. Um dia, um grupo dos mais afoitos fez uma revolução. A revolução prometia que o povo não seria mais explorado na auto-estrada da fé, os abusos dos selos, das portagens, das multas, das perseguições. Acabavam-se também os privilégios dos agentes da fé e todos passariam a ser iguais. A revolução foi um sucesso. Dois dias depois, os revolucionários estavam sentados à volta da mesa para traçar o futuro do novo país católico.
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Um revolucionário genuíno, perguntou ao comandante:
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-Comandante, agora vamos acabar com os selos, as portagens e as multas na auto-estrada da fé, e tudo vai ser livre e de graça para o povo, não é?
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Respondeu o comandante:
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-Tu és doido ou quê? Mas tu já reparaste na genialidade do modelo de negócios que a Agência da Fé montou. Demorou-lhe séculos, pá. Tu julgas que eu ia desperdiçar uma coisa destas? Repara, o povo queria ir a Salvação. Mas a Agência não deixava que o povo lá chegasse pelo seu livre pé. Convenceu o povo que os agentes da fé eram indispensáveis para o povo lá chegar, não fosse algum condutor tresmalhar-se e perder-se pelo caminho. Depois, puseram-se no meio a cobrar bilhetes e a passar multas. Isto é genial. É só convencer o povo, e depois pomo-nos no meio a cobrar bilhetes...
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-Então, o que vai fazer?, insistiu, curioso, o revolucionário.
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-Não tem nada que saber, pá. A primeira coisa a fazer é mudar os nomes. Em lugar de auto-estrada da fé, passa a chamar-se auto-estrada da maioria. E o destino, em lugar de Salvação, passa a chamar-se Liberdade. Os agentes da fé passam a chamar-se agentes da maioria, e também muda a côr da farda, passa de preta a cinzenta.
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-Ah! já estou a perceber a filosofia da revolução ... Mudam-se as moscas ...
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-Isso mesmo, pá, és um gajo inteligente. Este é um povo que se convence facilmente, desde que se seja hábil a fazê-lo. Arranjamos aí uns tipos bem-falantes, e já está. Pois a Agência da Fé não convenceu este povo que eram todos pecadores, e eles não se tratam como tal? Pois bem, nós vamos convencê-los que eles são também ignorantes, doentes, atrasados tecnologicamente ... e isso permite-nos vender mais selos para colocar nos pára-brisas e pôr mais portagens na auto-estrada, uma para a educação, outra para a saúde, outra para o avanço tecnológico ... E nós ficamos lá no meio a cobrar os bilhetes, pá!.

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Jogada política


Ainda a propósito da polémica PT/TVI, tenho para mim que se tratou, exclusivamente, de uma jogada política. Ou seja, dada a animosidade de Sócrates em relação à TVI, aquele terá pensado que, ao promover o negócio dentro da PT, lançando-o para o espaço público e, depois, aparecendo a rejeitá-lo, a sua intervenção seria encarada pelos eleitores como um sinal de que "não preciso de silenciar ninguém, nem de truques baixos, para ganhar as próximas legislativas!".

Na minha opinião, o PS nunca quis que a PT comprasse a TVI. Foi apenas uma jogada política que, felizmente, saiu mal.

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racecard

A nossa inclinação para o individualismo bruto, para o laissez-faire e para a sobrevivência dos mais aptos, leva-nos a pensar que todas as pessoas têm direito a todos os benefícios que a sociedade tem para oferecer e que ninguém tem de se sacrificar pelo Bem Comum da sociedade.
Jesse Jackson
Este parágrafo refere-se à chamada “affirmative action” nos EUA e ao recente caso de um bombeiro de New Haven que foi preterido, para promoção, por ser branco. O Supremo Tribunal acaba de considerar que o bombeiro foi discriminado.
O erro grosseiro de Jesse Jackson, neste artigo, é equiparar a recompensa pelo resultado de um esforço individual a um benefício. Ainda, o Bem Comum depende do empenho social de cada indivíduo e da expectativa de uma justa retribuição.
Uma sociedade que exigisse esforço sem retribuição estaria a impor uma nova escravatura.

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quanto custa?




Todas as Leis e Decretos-Lei devem ser acompanhadas de um estudo do respectivo impacto económico e orçamental. Esta é a minha primeira proposta para a próxima legislatura. Os resultados desses estudos devem estar disponíveis antes da discussão pública dos respectivos diplomas.
Quem assina por baixo?
PS: Vamos acabar com as caixas de Pandora.

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30 Junho 2009

fechamento



A todos o meu bem-haja!
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O "fechamento" de que o Prof. Arroja fala [aqui] é entendido por mim com algum capital de esperança. Este fechamento (com todos os defeitos e hipocrisias que o configuram) pode ser entendido como o depósito de um modo de vida bastante mais saudável do que aquele que os países de cultura protestante defendem.
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A Reforma modificou muito os países agora protestantes. Tornaram-se mais ricos, organizados e civilizados. Mas também se tornaram mentalmente mais doentes, praticaram mais genocídios e, paradoxalmente, no mesmo momento em que se tornaram mais humanistas, tornaram-se também mais desumanos.
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Já os países católicos parecem preocupar-se menos com o facto de serem mais pobres. Vivem a pobreza zombeteiramente. Ostentam a sua pouca riqueza como autênticos pacóvios. Alguns até têm um Mercedez (protestante) apenas para ir à missa ao Domingo (católica). Infernizam a vida uns aos outros, mas pedem desculpa por isso todos os Domingos e dias santos. Digamos que são culturas apequenadoras. A religião engrandece-lhes esteticamente a força dos absolutos opostos, o bem e o mal. Coisa que eles se encarregam no dia a dia de apequenar. As suas maldades são mesquinhas, não acabam em tiroteios nas escolas, em genocídios etc. As suas bondades não passam de uns quilos de arroz no banco da ajuda alimentar. Quando olhamos para eles (nós) com alguma distância percebemos que no fundo são os lírios do campo.Talvez um dia as culturas protestantes venham a sentir o que perderam e a tomar esta ingenuidade por referência.
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Sinfonia do disparate Homepage 06.30.09 - 10:31 pm #

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a diferença


Comentário protestante e comentário católico. São ambos discordantes. Qual é, então, a diferença?
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Adenda: Mais comentário católico: "Vai levar no recto!"

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recostado no Estado


O Protestantismo, nas suas diferentes variantes, representou um movimento de concorrência ao monopólio da Igreja, na sua dupla função de autoridade docente e exclusiva do Cristianismo, e de agência sacramental. O sucesso do movimento foi considerável, rapidamente conquistando o mercado à Igreja de uma forma praticamente absoluta nos países do norte da Europa, em mais de metade da Alemanha, nas Ilhas Britânicas, com excepção da Irlanda, e em boa parte da França.

O Protestantismo contestou que a Igreja tivesse o monopólio da interpretação das Palavras de Cristo, insistindo que a única fonte da Revelação são as Escrituras (Sola Escritura), enquanto a Igreja Católica insistia em afirmar que a fonte da Revelação, para além das Escrituras, inclui também a doutrina elaborada pela Igreja ao longo dos séculos (tradição). O protestantismo também contestou os sacramentos, defendendo que os pecados não podem ser perdoados pelos homens (clero), mas só pela graça de Deus. Quem julga a vida humana? "Só Deus!", respondem os protestantes; "Nós!", responde o clero católico.

Nesta última diferença está o carácter transcendente que a justiça possui nos países protestantes e que confere aos seus sistemas de justiça uma qualidade extraordinária, em comparação com o carácter humano, banal e terreno que a justiça possui nos países católicos, como Portugal, e que explicam a sua conhecida ineficácia e frequente injustiça.

A conquista do mercado pelo Protestantismo que desceu do norte da Europa para o sul, só foi travada em Espanha, com Portugal na sua rectaguarda. A Península Ibérica representa a única região da Europa Ocidental onde o protestantismo nunca entrou, e que serviu de base à Igreja para reorganizar as suas forças e iniciar a reacção de defesa (Contra-Reforma).

Como é que a Igreja conseguiu proteger o seu mercado em Portugal e Espanha? Associando-se ao Estado, que promulgou leis que lhe garantiram a reserva do mercado. A expulsão dos judeus ordenada pelos Reis Católicos e o estabelecimento da famosa Inquisição Ibérica (Spanish Inquisition) constituiram as peças essenciais do aparato legal que conferiu à Igreja o monopólio das consciências em Espanha e Portugal: Aqui só se vende um produto - o catolicismo - e quem ousar vender outro é um criminosos (herege) que deve ser preso e lançado à fogueira.

Os grande negócio que, para ser seguro, deve ser feito recostado no poder coercivo do Estado, a tendência para o proteccionismo e para a promiscuidade entre interesses privados e interesses públicos que é típica dos países de cultura católica, encontra aqui a sua expressão.

O impacto destas medidas proteccionistas sobre a mente do homem ibérico e a sua cultura foi extraordinário, e permanece até hoje. Fechou-lhe a mente e o espírito, instituindo uma só verdade e uma só visão da vida e do mundo - e uma visão que é proibido contestar. Quem o fizer não é uma boa pessoa, na realidade só pode ser um louco ou um criminoso. A Igreja Católica, que reclamava ser a única interprete de Cristo, o maior herege de todos os tempos e o Homem que foi condenado por blasfémia, passou, ela própria, a perseguir os hereges.

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crooks

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caixa de Pandora

Quinze dias de salário em atraso é o suficiente para evitar execuções fiscais de carros, da conta bancária e penhoras comerciais sobre bens, como móveis e electrodomésticos. Despejos por falta de pagamento das rendas das casas também não são permitidos e o Estado passa a substituir-se aos devedores para pagar aos credores e senhorios.
Via DN
ahahahahahahah

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dramma jocoso

No caso Madoff, o protagonista é o Sr. Bernard Madoff, que foi ontem condenado a 150 anos de prisão. Lendo as notícias de ontem e de hoje, registamos o nome do juiz que proferiu esta sentença, Denny Chin, mas não conhecemos todos os outros intervenientes no processo. Intervenientes que foram profissionais e eficazes. Recordemos que o caso Madoff se iniciou em Dezembro de 2008 e que foi a julgamento em Março deste ano.
Comparemos isto com o caso Freeport. Neste caso os verdadeiros protagonistas são o Procurador-Geral da República, os magistrados titulares do processo – Victor Magalhães e Paes Faria, o Presidente do Eurojust – Lopes da Mota, um Ministro – Alberto Costa, o presidente do sindicato dos magistrados do ministério público e Cândida Almeida, a “prima-dona” desta ópera bufa.
No campo dos culpados não existem protagonistas. Nem protagonistas nem suspeitos, apenas alguns arguidos, que serão pessoas inocentes sobre as quais recaem fortes indícios (desculpem a minha falta de formação jurídica).
Devemos reflectir sobre esta realidade.

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29 Junho 2009

A Lei de Say


Educar consiste em moldar o espírito das pessoas, fazer-lhes a cabeça, como se diz na linguagem popular, incutir-lhes no espírito as ideias, as atitudes e os valores que vão governar a sua vida, e que depois passam de geração em geração. A Igreja foi a primeira instituição de ensino na história da civilização, e os padres o primeiro corpo de professores profissionalizados. Até pelo menos ao séc. XVI e à Reforma Protestante, a Igreja teve o monopólio da educação no Ocidente e, em Portugal, praticamente até ao início do século XX. A religião cristã dominava então a mente das pessoas, porque lhes fornecia um quadro de pensamento e acção que dava sentido às suas vidas, e todos os problemas da vida eram vistos à luz da religião (o célebre episódio de Galileu ilustra como a ciência nascente estava também sujeita ao escrutínio da religião).
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A maneira como os portugueses pensam, a forma como raciocinam, reagem e interagem uns com os outros, os seus valores e o seu código de moralidade foram-lhes incutidos no espírito ao longo dos séculos, e começando muito antes da nacionalidade (acredita-se que S. Paulo pregou no território que hoje é Portugal) pelo magistério da Igreja. É neste sentido que tenho afirmado que a cultura portuguesa é uma cultura predominantemente católica.
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Mesmo depois de a Igreja ter perdido o monopólio da educação em Portugal, pouco se alterou, e nada no essencial. O código de moralidade permanece, no essencial, o código católico. É certo que as matérias ensinadas se alargaram e os professores passaram a ser laicos, mas tudo o resto se manteve igual. Os métodos de ensino prevaleceram (sobretudo o magistral); os materiais de ensino são essencialmente os mesmos (a sebenta ou livro-texto, desencorajando a consulta das fontes, e fazendo recordar o recurso ao Catecismo, em lugar da Bíblia); a distância que o professor mantém do aluno, e a altura a que se coloca em relação a ele, mantiveram-se inalteradas, desencorajando o debate e reforçando a posição da autoridade docente; a falta de originalidade intelectual nas escolas e nas universidades portuguesas, e dos seus professores, não se alterou: os professores permaneceram meros repetidores de doutrinas feitas, não seus criadores. Na universidade, os trajes académicos são ainda os dos padres, as orações de sapiência, proferidas a partir de um púlpito, não deixam margem para engano acerca da sua origem, e a curiosidade intelectual que suscitam é, em geral, a mesma de uma homilia.
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O magistério da Igreja Católica é a principal fonte daquilo que chamei a cultura portuguesa. Mas como é que a Igreja maximiza as receitas das Penitências? A resposta é: maximizando o número de pecadores na sociedade. Está aqui a origem do carácter essencialmente pouco cristão das sociedades católicas em comparação com as sociedades protestantes, a que me tenho referido. (Nas sociedades protestantes ninguém vende penitências - só Deus pode perdoar os pecados - e, portanto ninguém sente necessidade de ter pecadores por perto para as comprar).
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A "Lei de Say" na Economia estabelece que a oferta cria a sua própria procura. As empresas farmacêuticas têm interesse em fazer crer às pessoas que elas estão sempre doentes; os bancos propagam a mensagem que é um perigo ter o dinheiro debaixo do colchão; os professores passam o tempo, aberta ou veladamente, a apelidar os seus concidadãos de ignorantes. A Igreja que que vende o perdão dos pecados e durante séculos teve o monopólio da educação na sociedade - o equivalente, no presente, a ter os monopólio dos meios de comunicação - criou uma cultura de pecadores. A Igreja pôde finalmente relaxar quando, nos países sob a sua influência exclusiva e milenar, eram agora os cidadãos que espontaneamente acabavam todas as conversas a atribuirem-se pecados uns aos outros.
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Uma instituição que deriva uma parte das sua receitas e da sua influência social do perdão dos pecados, tem de ter pecadores na sociedade, e se eles não surgirem espontaneamente, ela própria tem de os criar, caso contrário cessa uma das razões da sua existência, tem uma quebra de receitas, e pode até ir à falência. Não apenas isso, pelo menos em épocas de maior aperto financeiro ou para financiar a sua expansão, ela tem de ter pecadores em abundância, senão mesmo de os maximizar. Ora, esta é precisamente a instituição que ao mesmo tempo define também o que é o pecado, e a sua definição, por virtude do seu monopólio na educação durante séculos, era generalizadamente aceite pelo mercado.
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A estratégia mais eficaz para maximizar o número de pecadores no mercado consiste em estabelecer padrões morais tão elevados que ninguém os consegue cumprir, assim criando na sociedade a ideia de que todos são pecadores. E foi isso que a Igreja fez, ao ponto de tornar o Cristianismo quase que exclusivamente uma doutrina moral. Os países sujeitos à influência exclusiva do catolicismo, como Portugal, tornaram-se assim países de moralistas - que não de filósofos ou cientistas -, uma espécie de comerciais de uma empresa que pregava uma moral tão elevada quão elevada era a sua expectativa de que ninguém a conseguisse cumprir.
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O caso dos padres constitui, a este respeito, uma estratégia de marketing de uma eficácia considerável. A moralidade a que a instituição desde sempre sujeitou os padres (vg., celibato, castidade) é de tal modo elevada ao ponto de se tornar desumana. Não surpreende, portanto, que raros sejam aqueles que a conseguem cumprir integralmente. Mas o não-cumprimento pela esmagadora maioria dos padres do código de conduta a que a Igreja os sujeitou apenas serviu para reforçar no mercado a convicção de que todos os homens são pecadores: "Pois se até os padres pecam, o que será de mim...". Os jornalistas que hoje em dia fazem grandes manchetes acerca dos pecados dos padres católicos, como o da pedofilia, nem sempre se apercebem que estão a promover a pedofilia na sociedade e, em última instância, o negócio da Igreja, sobretudo nos países, como Portugal, onde ela não tem uma concorrência credível.

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o negócio da salvação das almas


Neste post eu pretendo lançar as bases de uma análise da Igreja Católica e da sua história sob uma perspectiva estritamente económica. Esta análise permite lançar luz sobre muitos acontecimentos e instituições que estão ligadas à história da Igreja no mundo, e sobretudo explicar vários dos comportamentos, instituições, vícios culturais e problemas actuais de Portugal, um dos mais genuínos países católicos do mundo.
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O quadro de análise é o seguinte. A Igreja desempenha tradicionalmente duas funções no seio do Cristianismo. Uma é a de autoridade docente, outra a de agência sacramental. Durante muitos séculos a Igreja exerceu estas duas actividades em regime de monopólio - um monopólio quebrado parcialmente com o Cisma do Oriente no séc. XI e com a Reforma Protestante no séc. XVI. Em Portugal (como em Espanha) a Igreja manteve o seu monopólio sempre intacto.
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Na função de agência sacramental, a Igreja está no negócio da salvação das almas, sendo intermediária entre os fieis e Deus. Para o efeito, oferece sete produtos que os fieis são supostos comprar para obter a salvação. Foi este negócio de intermediação que os Protestantes aboliram no norte da Europa, passando os fieis a obter a salvação directamente da graça de Deus, sem agenciamento da Igreja.
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Os sete produtos são os Sacramentos. Cinco dos produtos vendem-se em momentos coincidentes com marcos importantes na vida de uma pessoa, e são produtos de procura praticamente certa. O Baptismo é coincidente com o nascimento; a Confirmação ou Crisma é coincidente com a adolescência ou a entrada na idade da razão; O Matrimónio é coincidente com maturidade e a dedicação da vida a uma outra pessoa para fins de reprodução; a Ordem, se a pessoa decide, alternativamente, dedicar a sua vida a Deus; e a Extrema Unção ou Unção dos Doentes é coincidente com a morte. Os outros dois produtos podem comprar-se a qualquer momento. Refiro-me à Comunhão (Missa), celebrando a aproximação a Deus, e a Penitência, visando redimir os pecados.
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Em contrapartida dos serviços prestados, a Igreja recebe emolumentos, pagamentos em espécie, e outros em dinheiro (esmolas, doações, heranças, subsídios do Estado etc.). A minha presunção é que, ao longo da história da Igreja, os produtos mais rentáveis foram o Baptismo e o Matrimónio, pela regularidade das suas receitas, a Extrema Unção (a tentação para legar a fortuna à Igreja em troca da salvação é considerável), e, sobretudo as Penitências. Foi, aliás, a especulação neste produto que nos países protestantes levou a acabar com o negócio da Igreja.
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A Igreja maximiza as receitas do Baptismo e da Extrema Unção defendendo a maximização dos nascimentos; maximiza as receitas do Matrimónio defendendo a maximização dos casamentos. Mas como pode ela maximizar as receitas das Penitências?

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razões ponderosas

Nas últimas duas semanas tenho escrito pouco no Portugal Contemporâneo. Para além de alguma falta de tempo, confesso a verdadeira razão: uma certa aposta com o Pedro Arroja, que ele insidiosamente me levou a fazer publicamente, que envolvia – já não me recordo com exactidão – algumas garrafas de um vinho de segunda categoria e os resultados das próximas legislativas.

Deste modo, quero aqui publicamente assumir o compromisso solene de regressar mais intensamente à actividade, mas se, e só se, o Pedro der a aposta por inexistente, já que a vitória do PSD, essa, parece já estar fora de causa.

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sair bem na foto

O presidente das Honduras foi deposto, na sequência de um processo legal. O poder está nas mãos das instituições democráticas, presidente do parlamento e do próprio parlamento, e não de nenhuma junta.
Ao apoiar o presidente deposto, Obama pretende vincar que os EUA não tiveram nada a ver com o assunto. Contudo, a posição de Obama corre o risco de legitimar uma intervenção da Venezuela e/ou de Cuba e de desencadear um conflito regional que pode vir a custar milhares de vidas.
Obama devia ter condenado a actuação do presidente deposto e intercedido para a realização de eleições, no mais breve prazo de tempo possível.
O presidente Obama demonstrou, com esta actuação, que se está nas tintas para o povo das Honduras e que tudo o que lhe interessa é sair bem na fotografia. É um comportamento muito perigoso para um líder mundial.

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Castro & Clinton











Castro e Clinton apoiam chavismo.

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súcia




Chavez (Venezuela), Correa (Equador), Ortega (Nicarágua), Morales (Bolívia) e Obama (EUA), condenam golpe militar nas Honduras. Acção do exército foi conduzida para executar uma decisão do parlamento e do supremo tribunal de justiça das Honduras.

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seven



Chegou a factura. A UE cobrou 899 M€ à Microsoft e agora a Microsoft vai cobrar esse montante aos consumidores europeus. Como não poderia deixar de ser, porque a Microsoft não fabrica dinheiro.
Acresce, ainda, que na UE o Windows 7 vai ser vendido sem o Explorer, mais uma vez graças à Comissão Europeia. Quem quiser tem que fazer o download separadamente.
Isto não é patético?

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bananas


"A inveja, o queixume e o ressentimento, com que muitos portugueses embrulham a pequenez de espírito e a incapacidade de ousar e de assumir os riscos da sua individualidade, esgrimindo-os contra os que têm sucesso ou, mais simplesmente, contra os que atrevem a sobressair da niveladora mediocridade, são outras emanações, limitadoras, desse "carácter" (...) O melhor exemplo desta idiossincrasia é a atitude face ao Mateus Rosé. É a única marca global de origem portuguesa (...) mas que os portugueses se empenham em denegrir.

(...)

Poderá interrogar-se como é que se reproduzem as características comportamentais que se traduzem na cultura ou na idiossincrasia de uma comunidade (...) Há uma interessante experiência que pretende representar um tipo de mecânica de reprodução cultural, frequentemente referida pelos manuais de organização, e que pode ser evocada a este propósito. Um cientista social colocou 3 macacos numa jaula, e no topo dessa jaula, por cima de um banco colocada ao centro, pendurou um cacho de bananas. Quando um macaco se dirigia ao cacho para retirar uma banana, os outros dois eram agredidos por um jacto de água gelada. Repetindo o procedimento, cedo começaram os macacos castigados, para evitar a repressão externa, por agredir o terceiro elemento para o impedir de chegar às bananas, de cada vez que ele a tal se atrevesse. Ao fim de não muito tempo, nenhum macaco se atrevia a ir às bananas e qualquer deles saltaria de imediato a bater em qualquer outro que tentasse aproximar-se do fruto exibido."

Bento, Vítor (2009). Perceber a crise para encontrar o caminho. Lisboa: Bnomics.

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nem se governam nem se deixam governar


"Para fugir aos naturais enviesamentos da forma como nos olhamos a nós próprios, é sempre útil procurar ver-nos no espelho do olhar dos outros (...) O olhar de dentro de Teixeira de Pascoaes ajuda, talvez, a compreender melhor, e a relativizar o olhar de fora de Kapuscinski e a sua sentença de "individualistas empedernidos". Os portugueses têm, de facto, sinais comportamentais que não facilitam a sua organizada inserção comunitária. Daí, provavelmente, a frase que sobre os nossos antecessores Lusitanos é atribuída a Gaius Julius Caesar (110-44 aC): "há nos confins da Ibéria um povo que nem se governa nem se deixa governar". Mas não creio que o português típico - se é que existe essa figura - apesar de desorganizado e ter pouca disponibilidade para cooperar com os outros, seja especialmente dotado para afirmar e assumir a sua individualidade. (...) Por isso tenho alguma simpatia por uma interpretação baseada na tese que Michael Oakeshott (*) sustentou, em 1958, nas suas Conferências de Harvard. (...) De um lado (...) a "moralidade da individualidade" (...) de outro lado (...) a "moralidade do colectivismo". (...) Assim e à luz desta tese de Oakeshott, creio ser mais razoável identificar o "carácter" dos portugueses com a moralidade do segundo tipo de governados. Aliás, o que o filósofo José Gil escreveu, a dado passo do livro, "O Medo de Existir", tende a reforçar a interpretação que aqui partilho."

Bento, Vítor (2009). Perceber a crise para encontrar o caminho. Lisboa: Bnomics.

(*) Para mais acerca do pensamento de Michael Oakeshott leiam o ensaio de João Carlos Espada publicado este fim de semana no "i".

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talvez a única


"Não é a primeira vez que a democracia está em perigo", diz o Professor Adriano Moreira este fim de semana numa entrevista ao Semanário Económico. Eu partilho a sua opinião. O sinal que hoje veio das Honduras é um sinal preocupante. As democracias caem com facilidade nos países de tradição católica em períodos de dificuldades económicas prolongadas. O desemprego e a pobreza acrescida são a gota de água no ressentimento que a democracia gera em relação aos políticos e às instituições em países de cultura católica.

Cumpriu-se nas Honduras mais uma regularidade dos países católicos. O árbitro da política e da democracia não é a lei, nem mesmo a constituição. São os militares. Esta regularidade não foi inventada na América Latina, mas é uma faceta que os países latino-americanos herdaram dos seus pais culturais - Portugal e a Espanha.

Os observadores parecem estar de acordo que a única democracia viável na América Latina é a Costa Rica, curiosamente o país onde o ex-Presidente hondurenho se acolheu. A razão parece ser a de que desde 1949, a Costa Rica proibiu os militares, suprimindo constitucionalmente as forças armadas. Esta é talvez a única ideia política original oriunda de um país de tradição católica nos últimos cinco séculos.

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28 Junho 2009

reformar a Justiça


"A Justiça é uma área onde me sinto menos à vontade para discutir pormenores ou fazer propostas concretas. Mas não é preciso saber muito sobre as tecnicidades do assunto para perceber que a actual situação (...) é insustentável.

(...)

Se noutros países a Justiça consegue ser mais expedita e consegue regular melhor a sociedade do que a nossa, só há que copiar o que se faz nesses países. Mas, para isso, a reforma da Justiça não pode ser conduzida apenas por "especialistas do meio" que, consciente ou inconscientemente, estão viciados no modelo em que aprenderam a funcionar. Tanto mais que, muito provavelmente, para responder ao que a sociedade espera da Justiça - que são soluções práticas e não o juízo divino - toda a filosofia subjacente ao edifício jurídico e institucional do Direito Criminal (Penal), do Direito Processual Penal e da investigação criminal teria que ser revista de alto a baixo, à luz de uma visão mais pragmática, e isso não se faz (só) com quem vive embrenhado nessa filosofia".

Bento, Vítor (2009). Perceber a crise para encontrar o caminho. Lisboa: Bnomics.

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desenrascanço


"Infelizmente para a eficiência económica, a nossa cultura convive muito bem com um largo espaço de arbitrariedade decisória, que tende a interpretar, erradamente, que isso é uma fonte de flexibilidade no funcionamento da economia e da sociedade. Daí os louvores que se concedem ao nosso espírito de "desenrascanço", sem nos darmos sequer ao trabalho de reflectir porque é que as sociedades mais desenvolvidas não dispõem de, nem cultivam, esse espírito.

No fundo, a tão valorizada flexibilidade mais não é do que a combinação de uma grande habilidade para "dar a volta" às regras, com a complacência manifestada para com a sua violação. Esquecemo-nos, contudo, que, pela porta que a "flexibilidade" (i.e. o "jeitinho") abre para facilitar uma decisão necessária, vão acabar por passar muitas mais decisões perniciosas, pelo que o resultado líquido, para a economia e para a sociedade, é claramente negativo. É por isso e para evitar todas as distorções que isto provoca que os países mais desenvolvidos preferem funcionar com regras claras e rígidas, mas sem excepções. Porque sabem que a gestão das excepções é uma inesgotável fonte de arbitrariedades e ineficiências."

Bento, Vítor (2009). Perceber a crise para encontrar o caminho. Lisboa: Bnomics.

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O valor da política


"Francisco Louçã ou José Reis não chegaram a professores catedráticos pela ideologia. (...) Ambos têm uma lista de publicações de referência internacional [e estou apenas a dar dois exemplos!!], com impacto no pensamento económico mundial.", Carlos Santos (signatário do contra manifesto ao manifesto dos 28).

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Saúde básica


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uma rua estreita


No seguimento do meu post anterior, gostaria de voltar ao tema de liberdade humana sob o ponto de vista de cada uma das culturas católica e protestante.

A intolerância espiritual do catolicismo produz uma espécie muito peculiar de homem livre. É um homem invariavelmente só. Perante uma cultura circundante de intolerância generalizada, um homem apenas consegue ser espiritualmente livre se se retirar deste mundo. Os conventos e os mosteiros são instituições tipicamente católicas e os grandes símbolos da religiosidade católica são quase que invariavelmente pessoas retiradas deste mundo. Mesmo entre os laicos - Alexandre Herculano é o exemplo que ocorre ao espírito - a experiência não é diferente. O próprio Papa, o homem mais livre da Igreja Católica, é um homem retirado do mundo, e no Portugal do Estado Novo o homem mais livre do país, talvez o único - Salazar - era um homem imensamente só.
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Pelo contrário, a tolerância espiritual do protestantismo conduz cada homem a realizar a sua espiritualidade em comunhão com os outros, e em obras deste mundo. As grandes realizações modernas do espírito humano, a democracia, o capitalismo, a ciência, a tecnologia e a filosofia moderna são, quase exclusivamente, obras da cultura protestante.
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O espírito do homem comum criado na tradição católica assemelha-se a uma rua estreita ladeada por muros muito altos - uma espécie de prisão. O seu espírito reprimido, fechado, egoísta e céptico contrasta com a largueza, a abertura, a generosidade e o optimismo de espírito que é típico do homem de cultura protestante. Nesta ortodoxia do espírito realiza o catolicismo a sua unidade cristã, já que no domínio das acções, o catolicismo caracteriza-se por uma imensa liberdade de acção que chega ao ponto da tolerância ao pecado. Para o protestantismo, pelo contrário, a unidade cristã está nas acções, já que a liberdade de espírito consente aí que um homem seja até anti-cristão (o ateísmo e o agnosticismo modernos são, eles também, criações da cultura protestante).
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Para o catolicismo, a unidade cristã está nos pensamentos e nas palavras, que não nas acções; para o protestantismo está nas acções, que não nos pensamentos nem nas palavras. Para o catolicismo pensar diferente é uma heresia, enquanto que para o protestantismo a heresia está exclusivamente no pecado. Esta diferença confere uma aparência enganosa às sociedades assentes quer numa quer noutra das tradições. A sociedade católica é na aparência muito cristã, na realidade é-o muito pouco. A sociedade protestante, pelo contrário, tem uma aparência muito pouco cristã, às vezes até anti-cristã. Na prática, é uma sociedade muito mais cristã do que a católica.
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Nos últimos séculos têm sido as sociedades de cultura católica, como Portugal, Espanha e os seus descendentes na América Latina, a tentar imitar as sociedades protestantes nas suas instituições, na sua prosperidade, na sua maneira mais cristã de viver - e não o contrário. Porém, limitaram-se, em geral, a imitar as instituições, sem reformarem os homens e a sua cultura, que foi a transformação radical da Reforma Protestante. Por isso, as tentativas falharam quase sempre.
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Ainda hoje falhou mais uma. Na tradição protestante, o árbitro da política é a lei. Na tradição católica são os militares. O Presidente das Honduras, fazendo jus à sua cultura católica, quis fazer batota democrática, ainda que referendada. Os militares não deixaram. E lá foi a democracia.

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nem para onde vai


Para que haja uma compreensão melhor do assunto, vejam este episódio:

JOÃO 3:1-21

"1 E HAVIA entre os fariseus um homem, chamado Nicodemos, príncipe dos judeus.
2 Este foi ter de noite com Jesus, e disse-lhe: Rabi, bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele.
3 Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.
4 Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer?
5 Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.
6 O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.
7 Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo.
8 O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.
9 Nicodemos respondeu, e disse-lhe: Como pode ser isso?
10 Jesus respondeu, e disse-lhe: Tu és mestre de Israel, e não sabes isto?
11 Na verdade, na verdade te digo que nós dizemos o que sabemos, e testificamos o que vimos; e não aceitais o nosso testemunho.
12 Se vos falei de coisas terrestres, e não crestes, como crereis, se vos falar das celestiais?
13 Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem, que está no céu.
14 E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado;
15 Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
16 Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
17 Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.
18 Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.
19 E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más.
20 Porque todo aquele que faz o mal odeia a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas.
21 Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus.

"Hadassah 06.26.09 - 10:22 pm #
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Poucas passagens das Escrituras ilustram melhor algumas das diferenças principais entre a cultura católica e a cultura protestante do que esta, a primeira cultura representada por Nicodemos, a segunda por Cristo. (Não insistirei mais no ponto de que a cultura protestante é consideravelmente mais cristã do que a católica).
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Nicodemos, tal como a cultura católica, coloca o ênfase no mundo tal como ele existia ao tempo de Cristo, que era um mundo de pecado, doença, fome, escravatura, injustiça, discriminação e morte. Cristo, tal como a cultura protestante, coloca o ênfase num mundo diferente e novo ("7 ... Necessário vos é nascer de novo..."), que é o mundo que virá depois da sua própria morte, o mundo da salvação: "17. Porque Deus enviou o seu filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele".
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Para além da sua incredulidade, o aspecto mais saliente da reacção de Nicodemos, é a sua completa incompreensão, a sua radical falta de capacidade para conceber o mundo de forma diferente daquilo que ele é, em tudo se assemelhando à falta de capacidade da cultura católica para a abstracção, a que me tenho referido frequentemente. Cristo não deixa de lhe notar: "12. Se vos falei de coisas terrestres e não crestes, como crerereis, se vos falar das celestiais?". O materialismo e a falta de espiritualidade de Nicodemos, tal como na cultura católica, contrasta com a espiritualidade de Cristo, que é inerente à cultura protestante, a capacidade para acreditar mesmo naquilo que não se vê - e sobretudo nisso. A potência do espírito humano é aqui posta em relevo.
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Nicodemos tem o espírito preso a este mundo, a mesma concentração no aqui e no agora que é típica da cultura católica, e a que já me referi noutro lugar. E qual é a faceta principal desse mundo alternativo que lhe é proposto por Cristo? A libertação do espírito humano, deixar o espírito humano voar com o vento, fazendo de cada homem uma experiência única de Deus: "8. O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, e não sabes de onde vem nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito".
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Eu não estarei certamente a exagerar se disser que o pior vício da cultura católica, e que a história documenta abundantemente, é a sua radical intolerância espiritual, a aversão radical à ideia de que o espírito de um homem possa voar com o vento, não vá ele voar em direcção diferente do rebanho. É este também, ainda hoje, o principal vício da cultura portuguesa, essa muito anti-cristã, intolerável e embrutecedora colectivização do espírito humano.

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Frank Knight


Ainda sobre Frank Knight e alguns temas que o Professor Arroja tem colocado neste blogue, diz Robert H. Nelson em “Frank Night and Original Sin”:

“(Frank Knight)…strongly favoured the market over central state control, here again he was manifesting the Calvinist quality of his thinking. As compared to Roman Catholicism, Protestantism in its infancy was fundamentally an individualistic religion in making each of the Protestant faithful responsible for his relationship with God; salvation was a matter of individual “faith alone.”

This strong individualism eventually had profound social consequences outside the realm of theology. The religious beliefs of the English Puritans laid the basis for modern freedoms in the realms of both government (the democratic system) and the economy (the free market). As the distinguished German theologian Ernst Troeltsch would explain with respect to the great impact of the Puritans in shaping the basic values and social institutions of the modern age:The great ideas of the separation of Church and State, toleration of different Church societies alongside of one another, the principle of Voluntarism in the formation of these Church-bodies, the (at first, no doubt, only relative) liberty of conviction and opinion in all matters of world-view and religion.

Here are the roots of the old liberal theory of the inviolability of the inner personal life by the State, which was subsequently extended to more outward things; here is brought about the end of the medieval idea of civilisation, and coercive Church-and-State civilisation gives place to individual civilisation free of Church direction. The idea is at first religious. Later, it becomes secularized. . . . But its real foundations are laid in theEnglish Puritan Revolution. The momentum of its religious impulse opened the way for modern freedom. (Troeltsch, Ernest. [1912] 1958. Protestantism and Progress: A Historical Study of the Relation of Protestantism to the Modern World. Boston: Beacon.)”

D. Costa
Anonymous 06.28.09 - 1:39 am #

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